Discurso de posse do governador em exercício Eduardo Pinho Moreira
Inúmeras lembranças e reflexões vieram à minha mente nos últimos dias. Falta tempo e faltam palavras para descrever tudo que sinto. Assim, escolhi começar o meu discurso narrando, para vocês, uma história. A história de homens e mulheres que deixaram as suas casas e seus países. Que embarcaram em navios e vieram até aqui, pelos mais diversos motivos, mas com um mesmo objetivo: construir um novo lar para si e para suas famílias. Uma história de coragem, a qual herdamos de nossos antepassados e da qual Santa Catarina é fruto. Uma história que nos inspira, até hoje, e que segue viva na força da nossa gente. No pioneirismo da nossa indústria, nas mãos dos nossos pescadores e agricultores e no olhar curioso e inventivo das nossas crianças. Santa Catarina é um estado diferenciado.
Nossos índices fazem frente aos de países desenvolvidos. Hoje somos o segundo estado mais competitivo do Brasil; aquele com a maior expectativa de vida e com a menor taxa de mortalidade infantil; com o melhor ensino fundamental de todo o país; e com os menores índices de desemprego, desigualdade de renda e de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Ainda temos o que melhorar, mas é extremamente gratificante saber que pude contribuir, com o nosso trabalho, para que obtivéssemos essas conquistas. Como deputado federal constituinte, representando os interesses catarinenses na assembleia que deu origem à constituição federal. Como prefeito de Criciúma, cidade que me acolheu e onde exerci, desde jovem, a medicina. E então, no dia 28 de outubro de 2002, o povo catarinense nos concedeu a oportunidade de iniciar um projeto que alavancaria esse cenário de prosperidade e desenvolvimento por toda Santa Catarina. Este projeto, que já ultrapassa a marca dos 15 anos, e que começou com um sonho e com a coragem de um visionário: Luiz Henrique da Silveira.
Assim como os imigrantes que vieram para cá, séculos atrás, Luiz Henrique era um homem obstinado. Quando nos encontramos em Florianópolis, eu vindo de Criciúma e ele de Joinville, bastaram dez minutos de conversa para que ele me convencesse, com sua convicção inabalável, a reingressar na atividade política. E, olha, que eu era um bom cardiologista. A profissão, além de garantir estabilidade, preenchia, em partes, minha vocação e meu anseio por ajudar as pessoas. Mas eu queria fazer mais e não podia dizer não àquele bom companheiro de lutas. Mesmo que, por um longo tempo, encontrássemos apoio apenas em nossas esposas: Ivete, que me honra com a sua presença, hoje, e Ivane, que não está mais entre nós. Que deus os tenha, Ivane e Luiz Henrique. Hoje e sempre.
Juntos, nós lançamos a descentralização administrativa, que foi a base para uma nova era na administração pública catarinense. A descentralização permite que todos os cidadãos, em qualquer região do estado, recebam tratamento justo e igualitário por parte do poder executivo. Por esse motivo, não se trata de um projeto de governo, com foco no mandato vigente, mas de um projeto de estado, que trouxe mudanças sólidas e permanentes, que merecem ser defendidas. O modelo deve ser revisto, sim. Afinal, o mundo mudou muito nos últimos 15 anos e devemos estar em constante evolução. Mas não se pode perder a essência da descentralização: aproximar o governo das pessoas, com o intuito de conhecer e atender às suas demandas, principalmente, dos mais carentes de atenção, distantes dos centros de tomada de decisão. Essa sempre foi a nossa missão e esse é o nosso principal legado para Santa Catarina.
Toda vez que me lembro das incertezas que envolveram nossa candidatura naquele ano e agora vejo aonde chegamos, renovo minha concepção acerca de coragem e convicção. Cientes de nossas raízes e movidos pelo mesmo ímpeto de nossos antepassados, que lançaram-se ao mar, sem saber como seria o novo mundo e sequer se alcançariam terra firme, nós fomos atrás do nosso sonho e fizemos dele realidade. A continuidade do projeto se deu com a nossa terceira vitória, dessa vez, junto com o governador Raimundo Colombo, então senador da república. Também faço questão de enaltecer o legado de trabalho, competência e destacado espírito público desse valoroso companheiro. Utilizando sua própria expressão, esse parceiro de todas as horas, soube promover o desenvolvimento catarinense nas mais diversas áreas, reduzindo impostos e trazendo grandes investimentos. Sob o seu comando, geramos mais postos de trabalho que qualquer outro estado em 2017 e nossa indústria registrou crescimento acima da média nacional.
Isso me faz lembrar do nosso grande e eterno líder, Ulysses Guimarães, que repetia, à sua maneira, que não é possível reinventar a roda, nem insistir na contramão dos fatos. Porque a história não dá saltos, ela é construída, dia após dia, na política. O espírito conciliador e a habilidade de dialogar e construir sempre foram marcas de Ulysses. E foi um grande prazer trabalhar ao lado de dois governadores, que sabiam da importância desses atributos para aquele que quer liderar. Acredito que este foi um fator fundamental para que conseguíssemos reunir a maior força suprapartidária da história catarinense e atingir resultados positivos a frente do estado durante os últimos anos. É necessário ter humildade e uma base forte e sólida, para desempenhar um bom trabalho.
Mudanças importantes, embora dependam de ações imediatas, demandam tempo. São resultados de uma sucessão de pequenos passos em busca de um ideal. Porém, o imediatismo que tem tomado conta da política atual impede essa compreensão. Ao longo desses 15 anos avançamos muito: demandas históricas foram atendidas em regiões, até então, desassistidas, o acesso a serviços públicos foi ampliado e o desenvolvimento econômico incentivado como nunca. O conceito de um governo de todas as regiões firmou a necessidade de valorizar a grande diversidade cultural, econômica e social que compõem nosso estado e agir a partir dela. Aprendemos a ouvir as pessoas e a colocá-las em primeiro lugar. Tenho certeza que esse é o caminho certo e que os passos que demos, nesse sentido, não têm volta. Não há como apagar.
Assumo o governo do estado, com a mesma coragem e força de vontade dos açorianos, italianos, alemães e africanos, dentre outras etnias, que, com o seu trabalho, construíram as bases para que Santa Catarina se tornasse este reduto de prosperidade, em meio às mazelas e à desigualdade que predominam no resto do país. Sem jamais me esquecer da responsabilidade, que será a marca desse governo. Porque é preciso respeitar e assegurar que nossas contas estejam adequadas à legislação. Por isso, vamos ter que fazer mais com menos. Uma gestão técnica e eficiente é fundamental neste momento, para que possamos reduzir os gastos correntes e garantir o bom atendimento nas áreas prioritárias, como saúde e segurança. O Governo de Santa Catarina está quase atingindo o limite legal de gastos com a folha de pagamento, podendo ferir a lei de responsabilidade fiscal e prejudicar a nossa capacidade de investimento se nada for feito.
Santa Catarina já dá sinais de retomada do crescimento econômico, mas é preciso responsabilidade e prudência neste momento. Vamos diminuir o tamanho da máquina pública e trazer mais incentivos ao desenvolvimento, através de parcerias com a iniciativa privada e estímulos ao empreendedorismo. Também teremos um olhar especial para a infraestrutura. Vamos fazer reivindicações junto ao governo federal para melhorar a qualidade de nossa malha viária, nas rodovias estaduais e federais Vamos dar atenção a todas as regiões!
Estabelecer prioridades é um dos grandes desafios na gestão pública. Ou melhor, em tudo na vida. Quem melhor sabe disso é a mãe e o pai de família. Como é difícil dizer “não” para um filho quando, por exemplo, ele quer um brinquedo, mas sabemos que se comprarmos, vai faltar dinheiro para o material escolar. Em diversos momentos da vida, é preciso fazer escolhas. Essa é a essência da responsabilidade e também da coragem. E assim será neste governo, que será breve em duração, mas de importantes decisões. Por isso, precisamos saber bem as nossas prioridades. Governar com responsabilidade, olhando todas as regiões, é meu compromisso com Santa Catarina.
Eu compartilho, como todos vocês, enorme preocupação com duas áreas, que já mencionei antes, serão prioridades. Como médico, tratarei pessoalmente da saúde, junto com o secretário Acélio Casagrande, visitando hospitais e identificando os problemas lá na ponta. E como pai e avô, terei grande atenção com a segurança, fornecendo as melhores condições de trabalho possíveis para as policias civil e militar e dando total apoio ao secretário, Alceu de Oliveira. Nós vamos conseguir alcançar algumas mudanças imediatas, apesar das dificuldades que as pastas enfrentam. Mas nosso foco maior será direcionado a consolidar as bases para que a saúde e a segurança ganhem novo capítulo a partir de hoje. As próximas gerações vão colher os frutos desse trabalho, que começou há mais de 15 anos. Santa Catarina melhorou muito de 2002 para cá. Nunca deixamos faltar serviços essenciais e somos líderes nacionais em desenvolvimento social. Mas não nos contentamos e, no que depender de mim, vamos seguir melhorando.
Eu tenho enorme prazer em desempenhar a função pública. Desde a infância, eu sempre quis cuidar das pessoas. Por isso, escolhi ser médico. Também, por isso, iniciei a carreira política, convencido por amigos e familiares, de que eu poderia fazer mais como homem público do que como cardiologista. Hoje, já tenho mais de 30 anos de estrada e de dedicação à causa pública. Tive a oportunidade de conhecer pessoas e lugares incríveis, em todos os cantos do nosso estado. Adquiri saberes e acumulei experiências indescritíveis. Não estive tão presente para a minha família, como eu gostaria, mas sempre encontrei neles o apoio que precisava e um verdadeiro porto seguro. Com isso, me recordo de uma célebre frase, que diz: os navios estão preservados e podem ter sua beleza melhor apreciada, quando estão ancorados no porto; mas não é para isso que eles foram feitos.
Essa frase faz muito sentido para o momento que estou vivendo hoje. Porque eu me sinto pronto, mais uma vez, para ir ao mar. O trabalho de construir um navio é árduo, exige tempo e enorme dedicação, até que ele esteja pronto. De certa forma, é assim a nossa vida: desde a formação familiar e educacional até as experiências profissionais e pessoais, que passamos na fase adulta, e que vão moldar aquilo que somos. Mas de que vale um navio, com toda sua magnitude, se ele não partir em viagem para desbravar o desconhecido? De que vale todo esse trabalho, para permanecer ancorado? Os nossos antepassados tiveram a coragem de embarcar e partir em busca de um futuro melhor. Encontraram uma terra fértil e bela, onde construíram seus lares e criaram seus filhos, dando origem a esse nosso estado, apaixonante e único. A responsabilidade de continuar essa história é grande. Por tudo que passei, me sinto preparado para enfrentar o oceano, por mais revolto que ele possa parecer. E tenho certeza, que muitos virão comigo, como foi no passado.
Portanto, agradeço ao governador Raimundo Colombo, pela confiança em mim e por estes sete anos trabalhando juntos, que muito contribuíram para a construção do meu navio. Ao ex-governador e ex-senador, Luiz Henrique da Silveira, amigo e inspiração para todos os momentos e grande fonte de aprendizado. E, em nome dos dois, a todos os companheiros de caminhada, do meu partido, o MDB, aqui também representado pelo presidente Mauro Mariani, e de outros partidos, que estiveram junto conosco ou mesmo fazendo oposição, apontando os nossos erros, o que sempre é saudável e positivo, quando feito com o devido respeito e de forma institucional. Bem como àqueles que não possuem qualquer vínculo partidário, mas que atuam politicamente e ocupam importantes espaços na administração do estado. Aos nossos servidores públicos, que no dia a dia contribuem para o sucesso de nossas ações administrativas. Aos jornalistas e profissionais de comunicação e da mídia, assim como aos membros das instituições persecutórias, ambos fundamentais para o bom funcionamento da democracia.
Aos membros do poder judiciário, em especial, o novo presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o desembargador Rodrigo Collaço. À minha falecida esposa, Ivane, com quem construí uma família, até hoje, tão bela e unida. Aos meus filhos: Duda, Paulo, Roberto e Isabel, com os quais não me canso de dividir as alegrias da vida, embora esteja ciente de que a escolha por me tornar um homem público muitas vezes me privou de um maior convívio familiar. Assim como meus netos: Letícia, Eduardo, Pedro, Isabella, Helena e mais um que está a caminho. Divido com vocês esta grande notícia que recebi há pouco. São eles fonte de energia para o vô, que faz tudo que é possível para estar perto. E, também, à minha querida Nicole, que junto do Bernardo, me ajudou a resgatar a fé, me fazer sorrir, e entender que, além de poder olhar para trás e me orgulhar de tudo que foi construído, posso olhar para frente com a convicção de que ainda tenho muito a viver e desbravar.
Por fim, faço um agradecimento especial ao povo catarinense, que me ensinou o valor do trabalho e a amar e cuidar do próximo. E obrigado a todos presentes. Conto com o apoio de vocês e que deus abençoe a Santa Catarina e a todos nós!